Se você convive com dor no joelho, provavelmente já ouviu falar do PRP. Muitos pacientes chegam ao consultório com a mesma pergunta: “Doutor, esse tratamento serve pra mim? Dá pra evitar a cirurgia?”. Neste artigo vou explicar de forma simples o que é o PRP, quando ele pode ser indicado e o que é realista esperar.
Antes de tudo, uma ideia que guia o meu trabalho: o joelho não é uma peça isolada. Ele faz parte de uma pessoa, com rotina, peso, músculos, sono, trabalho e objetivos próprios. Por isso nenhum tratamento, nem o PRP, funciona como solução mágica. Ele é uma ferramenta dentro de um plano.
O que é o PRP (plasma rico em plaquetas)?
PRP é a sigla de plasma rico em plaquetas. As plaquetas são células do sangue conhecidas por ajudar na coagulação, mas também guardam dezenas de proteínas chamadas fatores de crescimento, que participam dos processos de reparo e de controle da inflamação.
O preparo é feito com o sangue do próprio paciente:
- Coletamos uma pequena quantidade de sangue, como num exame de laboratório.
- O sangue é processado numa centrífuga, que separa as plaquetas das demais células.
- O plasma concentrado em plaquetas é aplicado dentro da articulação do joelho.
Como o material vem do próprio organismo, o risco de alergia ou rejeição é muito baixo.
Para quem o PRP no joelho pode ser indicado?
A situação em que o PRP tem a evidência mais consistente é a artrose leve a moderada do joelho. Estudos randomizados mostram que, nesses casos, o PRP pode reduzir a dor e melhorar a função. Em um estudo randomizado brasileiro com 105 pacientes, o PRP superou o ácido hialurônico no alívio da dor ao longo de 12 meses.
De forma geral, o PRP pode ser considerado para quem:
- tem artrose no joelho e dor que atrapalha a rotina, mesmo com fortalecimento e cuidado com o peso (a evidência é mais consistente na artrose leve a moderada, e cada caso — inclusive os mais avançados — é avaliado individualmente);
- não teve boa resposta, ou não pode usar anti-inflamatórios com frequência;
- quer adiar ou evitar, quando possível, uma cirurgia;
- tem algumas lesões tendíneas crônicas ao redor do joelho, em casos selecionados.
Cuidados antes do procedimento
Algumas situações precisam ser avaliadas na consulta antes de indicar o PRP — não como uma lista rígida de “não pode”, mas como cuidados para o procedimento ser seguro:
- infecção ativa no joelho ou no local da aplicação;
- alterações no sangue ou plaquetas baixas;
- uso de anticoagulantes (pode ser necessário ajustar, com orientação médica);
- câncer em tratamento ativo;
- gestação;
- uso recente de anti-inflamatórios, que pode interferir nas plaquetas (orientamos se e quando pausar).
Cada caso é avaliado individualmente, com conversa, exame físico e exames de imagem.
Como é feita a aplicação?
O procedimento é feito no consultório ou em ambiente ambulatorial, sem internação.
Aplicação guiada por ultrassom
Eu dou preferência à infiltração guiada por ultrassom. Com a imagem em tempo real, conseguimos ver a agulha e posicionar o PRP no local certo, o que traz mais precisão e mais conforto para o paciente.
Quantas sessões?
O número de aplicações varia. Em muitos protocolos estudados são feitas de 1 a 3 aplicações, com intervalo de algumas semanas. Essa decisão é individual e depende do grau de artrose, dos sintomas e da resposta de cada pessoa.
O que esperar depois do PRP?
Ter expectativas realistas faz toda a diferença:
- Nos primeiros dias o joelho pode ficar mais dolorido ou inchado. Isso é comum e costuma melhorar sozinho, com orientações simples.
- A melhora não é imediata. Diferente de uma infiltração com corticoide, o efeito do PRP costuma aparecer de forma gradual, ao longo de semanas.
- A resposta varia de pessoa para pessoa. Alguns pacientes têm melhora importante e duradoura, outros têm benefício menor. Estudos relatam efeitos que podem durar meses e, em alguns casos, até cerca de dois anos, mas não existe garantia de resultado.
- O PRP não substitui o resto do tratamento. Fortalecimento muscular, controle de peso, ajuste de atividades e acompanhamento continuam sendo a base. O PRP funciona melhor quando faz parte desse conjunto.
O PRP é seguro?
Por ser feito com o sangue do próprio paciente, o PRP é considerado um procedimento de baixo risco. Os efeitos mais comuns são dor e inchaço temporários no local. Complicações como infecção são raras, desde que o procedimento siga técnica estéril adequada.
Vale dizer também que a ciência sobre o PRP está em constante evolução e que existem formas diferentes de preparar o PRP, o que influencia o resultado. Por isso a indicação deve ser individual e feita por um médico que conheça bem as opções.
Outros ortobiológicos em estudo
Além do PRP, outros ortobiológicos vêm sendo estudados com resultados promissores, como o aspirado de medula óssea (BMA), colhido do osso da bacia do próprio paciente. Um estudo randomizado brasileiro publicado em 2026 acompanhou 63 pacientes com artrose de joelho graus 3 e 4, e as aplicações de produtos de medula óssea trouxeram melhora importante da dor e da função ao longo de 12 meses, com boa segurança. São resultados animadores, que mostram como a medicina regenerativa vem avançando, inclusive nos casos mais avançados de artrose.
Medo de cirurgia? Vamos conversar
Muita gente adia a consulta com medo de ouvir a palavra “cirurgia”. Entendo esse medo. Na prática, a maioria dos casos de dor no joelho começa com tratamento conservador, e as opções regenerativas, como o PRP, fazem parte desse caminho para pacientes selecionados.
Quando a prótese é a melhor alternativa, ela também é uma decisão tomada com calma, em conjunto, e no momento certo para você.
Perguntas frequentes
A aplicação de PRP dói?
Pode haver desconforto na coleta de sangue e na aplicação, e é comum sentir o joelho dolorido por alguns dias. Usamos técnica cuidadosa e guiada por ultrassom para tornar o procedimento o mais tranquilo possível.
Depois do PRP eu posso voltar às atividades?
Atividades leves do dia a dia costumam ser liberadas rapidamente. Exercícios mais intensos e esportes são retomados aos poucos, conforme a orientação dada na consulta.
O PRP faz a cartilagem voltar?
Não há evidência consistente de que o PRP regenere a cartilagem perdida. O objetivo é reduzir a dor, melhorar a função e a qualidade de vida.
O PRP evita a prótese de joelho?
Em alguns pacientes com artrose leve a moderada, o PRP pode ajudar a controlar os sintomas e adiar uma cirurgia. Não há como prometer que a prótese será evitada, e cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Agende sua avaliação em Criciúma
Se você tem dor no joelho e quer entender se o PRP ou outro tratamento faz sentido para o seu caso, o primeiro passo é uma avaliação completa. Atendo em Criciúma-SC, olhando para o seu joelho e para você como um todo.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos individualmente, após avaliação.
Dr. Gabriel Antunes – Ortopedista | CRM 21883 | RQE 17358 | Criciúma-SC
Referências e leitura complementar
- Randomized controlled trial comparing hyaluronic acid, platelet-rich plasma and the combination of both in the treatment of mild and moderate osteoarthritis of the knee. J Stem Cells Regen Med. 2016;12(2):69-78 ↗
- Randomized clinical trial comparing intra-articular injection of bone marrow aspirate clot and bone marrow aspirate concentrate in grade 3 and 4 knee osteoarthritis. Stem Cell Res Ther. 2026;17:168 ↗
- Contributions for classification of platelet rich plasma – proposal of a new classification: MARSPILL. Regen Med. 2017;12(5):565-574 ↗
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS) – OrthoInfo. Platelet-Rich Plasma (PRP) ↗
Conteúdo educativo. Não substitui uma consulta nem define a indicação de tratamento. Resultados variam conforme cada caso. Em situações de urgência, procure atendimento imediato.
